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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Eu quero gritar a sujeira


Eu quero a eloquência sem fala
me escrever sem palavras
só sorrir com granada

Gritar pro mundo o delírio
de coçar o cu e o umbigo
depois cheirar em improviso
e esfregar na cara da sala.

Quero gritar a sujeira
me sentir ser brincadeira
descer correndo nua, na ladeira
depois desabar embriagada.

Ir pra praça, varar a madrugada
ser fugida da polícia,
e no final, dilacerada.

Brincar ao final do dia
matar a sujeira da burguesia
melar a cara, de ironia
encher de bala, a moral da hipocrisia.

Eu quero atirar
andar em cima do mar
matar o que nos aprisiona
poder sorrir e chorar.

Eu quero amar.


5 de janeiro de 2016


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