Me virei em poesia suja
nua, crua,
pura
como rastro de sujeira na rua.
virei cuspe de Maria
catarro de João
vômito de menina
que engravidou no saguão
imunda como uma cova
de madeira ou de vidro
visível aos olhos
somente do morto umbigo
Qual tamanho do conforto
que me atinge sem o gosto
tendo a voz do meu corpo
que não sai sem o povo?
Tão pergunta que respondo
mexo tanto e fico tonta
com vertigem na altura
me jogo em morte, e pronto.
5 de janeiro de 2017
Nenhum comentário:
Postar um comentário