como uma piaba solta
ninguém pegava meus olhos
meus olhos viravam água,
viravam flores
que ninguém nunca viu
Fui crescendo no colo d'água
fui sendo dourada,
nas pedras da chapada
deitada, enquanto o sol planava em mim
Cresci com os olhos brilhando água
meio torta, meio vaga
densa, forte, rasa
funda, só se for de pulada.
Fui sendo moldada,
pelas pedras, pela mata
pela chuva, pela casa
Hoje, meu corpo parece uma jarra
em que dentro, só tem água
bexiga d'água
colchão d'água
balde d'água
caixa d'água.
Virei a menina d'água,
o rio de alma
a correnteza que leva
para o mergulho na casa
Sendo a queda sem impulso
quando vê já ta no fundo,
sem ter mais como subir.
Água é sempre boa
pra quem sabe nadar
quem não sabe, vem à canoa
e siga rumo pra lá.
Entra na água quem quer
ou quem por acaso caiu
as vez foi só o olho da água
que tu olhou, mas não viu,
escutou o que não devia
era o canto, da menina para o rio.
Me adentrarei por entre as águas
sempre que algo me acontecer
me banharei no rio d'alma
pedindo a benção da mãe,
para poder me proteger.
16 de abril, casa.
17 de abril de 2017
fui sendo dourada,
nas pedras da chapada
deitada, enquanto o sol planava em mim
Cresci com os olhos brilhando água
meio torta, meio vaga
densa, forte, rasa
funda, só se for de pulada.
Fui sendo moldada,
pelas pedras, pela mata
pela chuva, pela casa
Hoje, meu corpo parece uma jarra
em que dentro, só tem água
bexiga d'água
colchão d'água
balde d'água
caixa d'água.
Virei a menina d'água,
o rio de alma
a correnteza que leva
para o mergulho na casa
Sendo a queda sem impulso
quando vê já ta no fundo,
sem ter mais como subir.
Água é sempre boa
pra quem sabe nadar
quem não sabe, vem à canoa
e siga rumo pra lá.
Entra na água quem quer
ou quem por acaso caiu
as vez foi só o olho da água
que tu olhou, mas não viu,
escutou o que não devia
era o canto, da menina para o rio.
Me adentrarei por entre as águas
sempre que algo me acontecer
me banharei no rio d'alma
pedindo a benção da mãe,
para poder me proteger.
16 de abril, casa.
17 de abril de 2017
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